Desporto

CR7: The Best, com a maior vantagem de sempre sobre Messi

Cristiano Ronaldo foi eleito o melhor futebolista do mundo pela quinta vez: igualou o argentino com uma votação-recorde

Não foi apenas mais um capítulo no mais longo reinado da história do futebol mundial (nove anos entre a primeira e a mais recente distinção). Foi o momento em que Cristiano Ronaldo igualou o número de prémios de Leo Messi, com uma vitória esmagadora. Ontem, o avançado português, de 32 anos, recebeu pela quinta vez o prémio da FIFA para o melhor futebolista do mundo (relativo à época 2016-17): foi eleito com uma percentagem-recorde de votos – 43,16% – e a maior vantagem de sempre sobre o rival argentino.

O anúncio do vencedor do prémio The Best (atribuído pela FIFA, que desde 2016 separou a sua distinção da Bola de Ouro da revista France Football) chegou sem surpresas, ao início da noite de ontem, pela voz de Maradona e Ronaldo (o Fenómeno brasileiro): venceu CR7, como corolário de uma temporada em que ganhou Liga dos Campeões, campeonato espanhol e Mundial de clubes. “Foi um ano extraordinário”, sublinhou o jogador do Real Madrid, depois de receber o troféu das mãos do presidente da FIFA, Gianni Infantino, e driblar o protocolo, agradecendo em português [que não é língua oficial do organismo] “aos companheiros” do clube e da seleção.

Com 39 golos em 40 jogos e um papel decisivo na caminhada triunfal do clube espanhol em 2016-17, o avançado português foi de longe o melhor do mundo no período correspondente à eleição (20 de novembro de 2016 a 2 de julho de 2017, já que o The Best passará a ser atribuído em função da época desportiva e não do ano civil). E isso rendeu-lhe uma vitória por uma larga margem na votação – resultado da participação de treinadores e capitães das seleções inscritas na FIFA, de jornalistas e de adeptos online.

Domínio CR7. Tite fura boicote

CR7 recebeu 43,16% dos pontos, contra 19,25% do argentino Messi e 6,97% do brasileiro Neymar, os outros finalistas. Foi a melhor percentagem de sempre do português em prémios FIFA (recolheu 47,85% dos votos na Bola de Ouro de 2016), superando os 37,66% de 2014. E a sua maior vantagem sobre o argentino, com que se bate desde 2008 pelo trono do futebol mundial, 23,91% (o jogador do Barcelona fez melhor, com 47,88% dos votos e 26,28% de avanço, em 2011).

Na votação, manteve-se o tradicional “boicote” em favoritos. Ronaldo escolheu companheiros do Real Madrid (Modric, Sergio Ramos e Marcelo), Messi elegeu colegas que são ou eram do Barcelona (Suárez, Iniesta e Neymar). Pelo Brasil, votou Dani Alves: Neymar, Messi e Ronaldo. E só o brasileiro Tite fintou o nacionalismo dos selecionadores nacionais, preferindo CR7, à frente de Neymar (o argentino Sampaoli colocou Cristiano em segunda opção, Fernando Santos relegou Lionel para terceira).

Cristiano, que noutras galas falara da ambição de igualar La Pulga, não precisou de destacar tal façanha no discurso de agradecimento. Afinal, à parte do braço-de-ferro com o argentino – com quem divide, de forma igual, os dez últimos troféus da FIFA para o melhor do mundo -, já garantiu um lugar na eternidade.

Extensa rivalidade, longo reinado

Na verdade, nas últimas 11 edições deste galardão (com os prémios FIFA e France Football unificados entre 2010 e 2015), Ronaldo e Messi estiveram sempre entre os melhores do planeta – o português só falhou o top 3 em 2010 (sexto). A edição de 2007 foi ganha por pelo brasileiro Kaká. Mas a partir de 2008 – e com triunfos também em 2013, 2014 e 2016 -, CR7 escreveu o mais longo reinado da história. Entre os vencedores múltiplos do galardão ninguém soma tão grande distância de tempo entre a primeira e a última conquista. “Há 11 anos que venho a este palco. Era algo que ambicionava, ganhar prémios individuais e coletivos”, recordou Cristiano Ronaldo, depois de sublinhar a receita (“talento, trabalho duro, muita dedicação”) que o levou ao topo.

“Estou muito feliz, obrigado a todos”, disse, depois de lembrar família, amigos, a namorada, os filhos e a mãe Dolores (“se não levava duro em casa…”) e fazer menção aos finalistas vencidos. Português, argentino e brasileiro vão continuar a encontrar-se: o próximo duelo individual, mais uma vez com favoritismo nacional, é a entrega da Bola de Ouro da France Football, que deve acontecer em dezembro.

As felicitações não tardaram. Marcelo Rebelo de Sousa saudou Ronaldo pelo prémio ganho, tal como Pedro Proença, presidente da Liga, e Fernando Gomes, líder da Federação Portuguesa de Futebol. Fernando Santos, selecionador nacional, também deixou uma palavra a CR7: “Por vontade dele, vai até às dez! Ele tem sempre uma ambição tremenda, quer sempre ser perfeito e vai continuar a procurar a perfeição, com uma dedicação extrema. É um exemplo para todos.”

[dn.pt, Rui Marques Simões]

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