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“Arrependimento” de Theresa May em relação ao Brexit coloca em causa a sua liderança

Os defensores do Brexit acreditam que há uma grande conspiração para acabar com as negociações, que permanecem presas em questões como os direitos dos cidadãos britânicos, a fatura do divórcio e a fronteira com a Irlanda.

Os ânimos estão exaltados dentro do Partido Conservador britânico, depois de a primeira-ministra, Theresa May, e alguns ministros mais antigos terem afirmado que preferiam que o Reino Unido permanecesse na União Europeia. Os defensores do Brexit acreditam que há uma grande conspiração para acabar com as negociações, que permanecem presas em questões como os direitos dos cidadãos britânicos, a fatura do divórcio e a fronteira com a Irlanda.

“Em votei para que permanecêssemos na União Europeia [no referendo de 23 de junho de 2016], por boas razões, mas as circunstâncias atuais obrigam-nos a seguir em frente”, afirmou Theresa May em entrevista à rádio britânica LBC. “Eu estou a ser honesta com vocês. O que eu fiz no referendo foi olhar para o panorama e adotar uma posição e faria o mesmo atualmente. Mas agora não temos outro referendo e isso é crucial”.

A mesma posição foi já defendida por outros deputados conservadores. Damian Green afirmou ao Channel 4 News que sempre apoiou a adesão à União Europeia e continua a acreditar que o país estaria melhor dentro do bloco europeu. No entanto, Damian Green sublinha que uma vez decidida a saída da União Europeia não há volta atrás.

O eurodeputado Nigel Farage, ex-líder do Partido da Independência do Reino Unido, considera que estas discordâncias dentro do Partido Conservador são “a prova clara de que há uma ‘grande traição’ ao Brexit em marcha” e acusa Theresa May de ser “conformista, subordinada e submissa” à União Europeia.

Para contrariar esta onda de arrependimento entre os conservadores, o ministro do Tesouro, Philip Hammond, garante que está a ser preparado um plano de contingência para o caso as negociações do Brexit venham a falhar e o Reino Unido saia das negociações sem qualquer acordo. Mas o descontentamento mantém-se e há já quem fale numa substituição de Theresa May.

A eventual saída antecipada de Theresa May, que saiu fragilizada nas eleições convocadas para reforçar o seu mandato, vai deixar palco livre para novos protagonistas. Numa sondagem da YouGov Boris Johnson, que desde cedo se destacou pelo seu forte apoio ao Brexit, aparece a liderar as preferências, com 23% das intenções de voto.

[jornaleconomico.sapo.pt]

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