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A importância de exercer o direito de voto

Domingo, 26 de maio, será um dia importante para a União Europeia (UE), o dia em que os europeus irão votar para escolherem o seu representante para o Parlamento Europeu. O dia 25 de maio é dia de reflexão para os portugueses residentes em Portugal, mas para os cidadãos portugueses residentes fora de Portugal é uma oportunidade para poderem ir votar, para exercerem um direito seu, no Consulado-Geral ao qual pertencem.

Reconheço que nós portugueses da diáspora temos de percorrer um número de quilómetros que seria inimaginável e impraticável de fazer por qualquer português residente em Portugal, para podermos exercer o nosso direito de voto. No entanto, penso que também podemos pôr a mão na consciência e vermos que no fundo percorremos centenas de quilómetros para assistirmos a um evento português, para irmos ver a nossa seleção das quinas jogar, ou o clube português do nosso coração, ou para assistirmos a uma bellíssima noite de fados. Por vezes até vamos a outros países para sentirmos um pouquinho desta nossa portugalidade, da qual nós temos tanto orgulho e tanta saudade.
No que concerne estas eleições, há algo que me leva a escrever este texto: a importância de exercer um direito que temos por vivermos em democracia.

Jamais esquecerei que, no ano de 1985, eu frequentava a Escola Secundária de Pombal, onde tivemos uma ação de formação em que fomos esclarecidos sobre a entrada de Portugal em 1986, na altura, para a chamada Comunidade Económica Europeia (CEE), e em que nos foram apresentadas todas as vantagens que esta adesão à CEE trazia para Portugal e para TODOS OS PORTUGUESES. Na altura, os benefícios que mais me marcaram, foram o facto de deixarmos de ser imigrantes (“Gastarbeiter” na Alemanha) e passarmos a ser trabalhadores comunitários, bem como o facto de podermos circular com livre trânsito pelos países membros da CEE, simplesmente com o nosso Bilhete de Identidade da altura. Para além destas vantagens, também fomos informados sobre os investimentos que iriam ser feitos em Portugal. Facto é que, todas estas afirmações se concretizaram, tendo acabado com o “stress” de muitos imigrantes no que concerne aos papéis dos quais tinham de tratar para continuarem a trabalhar legalmente fora de Portugal, bem como no que concerne o crescimento de Portugal.

Muitos de nós se devem lembrar de como era Portugal e o que cresceu e evolui após a entrada para a chamada CEE. Depois de 1986 Portugal deu um passo gigante, talvez até tenha dado um passo maior do que deveria ter dado, ou provavelmente até o seu crescimento tenha sido demasiado rápido, e talvez muitos dos fundos investidos em Portugal devessem ter sido devidamente controlados. O que é um facto, é que Portugal cresceu em todas as vertentes. Portugal evoluiu, e muito, tornou-se uma verdadeira sociedade de consumo, um país capaz de competir com outros países europeus, e no fundo, passou a estar efetivamente no mapa. A CEE passou a ser denominada União Europeia (UE) em 1993 e esta conta cada vez com mais estados membro.

Estes efeitos positivos que a entrada para a UE tiveram para com o nosso país, deveriam levar-nos a refletir e a ir votar este fim-de-semana. Não consigo ficar indiferente e pretendo continuar a usufruir destas vantagens que a UE me traz a mim, e a muitos portugueses que residem fora de Portugal, que podem circular livremente pelos países membros da UE e usufruir de muitos benefícios. Não pretendo de modo algum dizer com as minhas palavras que a UE tenha apenas vantagens ou que seja um autêntico mar de rosas. No entanto, tem estas vantagens sobre as quais penso que num dia, como o dia de hoje, devemos refletir. É realmente vantajoso para qualquer um de nós que se encontra a residir fora de Portugal continuar a fazer parte da UE, independentemente das desvantagens que esta possa ter.

Pelas razões expostas deixo aqui uma apelo: exerca o seu direito, decida o seu destino e não deixe que a sua abstenção acabe por dar voz a partidos xenófobos que são contra o livre trânsito de seres humanos, e que nos pretendem privar da nossa liberdade.

Através do seu voto pode influenciar positivamente o destino de todos nós e mostrar em Portugal que a comunidade portuguesa da diáspora está bem viva e que se preocupa com o seu futuro. É extremamente importante exercermos o nosso direito de voto para mostrarmos que Portugal e os portugueses não estão na cauda da Europa.

(Mirele Oliveira Costa)

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