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”Portugal der Wanderfilm”: o filme e a entrevista

Entrevistámos os cineastas Silke Schranz e Christian Wüstenberg após a exibição do seu filme ”Portugal der Wanderfilm” no Cineplex em Münster, no passado dia 21 de março de 2019.

“Wandern” é um verbo que significa percorrer um caminho a pé, caminho esse que pode ser um trilho pedestre, e é uma das atividades de tempos livres e de férias preferida pelos alemães. Assim, o filme ”Portugal der Wanderfilm” dá-nos a conhecer Portugal numa outra perspetiva, a perspetiva de dois alemães, os cineastas, que percorrem 36 etapas, que representam cerca de 1000 km da costa portuguesa a pé com início em Sagres, passando por localidades como Zambujeira do Mar, Almograve, Vila Nova de Mil Fontes, Porto Covo, Setúbal, Lisboa, Consolação, Peniche, Nazaré, Vieira de Leiria, Figueira da Foz, Aveiro e Espinho, entre outras, terminando na cidade do Porto.

A intenção inicial de Silke Schranz e Christian Wüstenberg era apenas a de percorrer o trilho pedestre da Rota Vicentina, de Sagres a Porto Covo, mas a sua paixão e o fascínio que sentem por Portugal fizeram com que prolongassem significativamente a sua rota a pé, estendendo-a até à cidade invicta.
Os cineastas, que confessaram que Portugal é o seu país preferido, mostram paisagens marítimas, aldeias, vilas e cidades portuguesas de uma perspetiva que não é a das viagens turísticas organizadas, uma perspetiva menos consumista e mais natural, revelando ao público o quanto apreciam a gastronomia e a hospitalidade tão típicas dos portugueses. Uma outra característica deste filme é o facto de Silke Schranz e Christian Wüstenberg apresentarem e divulgarem a possibilidade de se poder passar férias que não correspondem apenas ao turismo “normal” e que passa pelo aluguer de quartos em quase todas as localidades por onde passaram, onde também se pode comer muito bem e a preços acessíveis.

Tendo como impulso o amor pela costa portuguesa, pelo mar e pelas ondas, os cineastas percorreram os cerca de 1000 km ao longo da costa portuguesa a pé, com calçado próprio, de câmara na mão, com uma mochila de cerca de 5 kg de peso, onde guardavam algumas mudas de roupa e uma capa impermeável com carapuça, uma garrafa de água de litro e meio, e impressões em papel de mapas do “google maps”, por optarem por abdicar de um smartphone, optando por um telemóvel mais antigo, cuja bateria descarrega em apenas 2 semanas.

Ao longo do seu caminho, os cineastas mostram sempre as indicações existentes em Portugal dos inúmeros caminhos pedestres, que facilitam a vida a quem quer percorrer um caminho a pé e em segurança. Em cada lugar da costa portuguesa em que param, Silke Schranz e Christian Wüstenberg não só dão conselhos sobre alojamentos acessíveis e sobre a gastronomia local, como também informam sobre o local em si, dando dicas sobre os lugares que não se podem deixar de visitar de modo algum, justificando todo os seus argumentos com as suas excelentes filmagens.

Silke Schranz e Christian Wüstenberg estavam deveras felizes pelo facto de o público ter aderido de uma forma tão positiva ao seu filme. Das 21 sessões que tiveram, 19 esgotaram, o que também se verifica nas próximas sessões. No caso de Münster, eram mais os alemães do que os portugueses que marcaram presença e muitos dos alemães presentes já estiveram em Portugal e/ou pretendem voltar lá. Christian Wüstenberg realçou o facto de o número de pessoas que se interessa por Portugal ser cada vez maior, referindo o interesse que manifestavam há 10 anos atrás, época em que ainda não era possível filmar digitalmente e em que os filmes que retratam viagens não estavam em voga. Christian Wüstenberg considera ser fantástico poder-se fazer férias em Portugal de um modo tão simples, em que se pode andar a pé, disfrutando da natureza, das dunas, das falésias, das rochas, das ondas, do mar “e isto tudo a pé”, salientando a beleza das áreas protegidas da Rota Vicentina, onde é proíbido efetuar-se qualquer tipo de construção. Segundo as suas palavras, muitos dos portugueses ainda não descobriram quão atraente é a costa portuguesa. Assim, espera que o seu filme leve ainda mais pessoas a conhecer o maravilhoso Portugal de um modo diferente, chegando até praias que não se conseguem alcançar de carro, disfrutando de paisagens únicas e fantásticas.

”Portugal der Wanderfilm” não é o primeiro filme destes cineastas alemães, que no passado também já lançaram filmes sobre o Algarve, a Nova Zelândia, e a Austrália, entre outros. Perguntámos pela razão que os levou a voltar a fazer um filme sobre Portugal. Christian Wüstenberg respondeu que Portugal é o seu país preferido, e que após ter feito a sua formação profissional como cinegrafista, o seu chefe na altura tinha um trabalho de imagens para ser realizado durante uma semana em Sintra, Cascais e Cabo da Roca, por conta de uma empresa de moda.
Confessou que se sentiu logo bem em Portugal. Gostou dos portugueses e das pessoas onde pernoitava, adorou a paisagem de Sintra, não só a parte dos palácios e a parte turística, mas também toda a sua história. Confessou ainda que foi a primeira vez que comeu sardinhas assadas na brasa, que considera uma das iguarias de Portugal, o que talvez seja difícil de entender para uma pessoa que pode consumir sardinhas sempre que quer. Considera que a gastronomia portuguesa é incrível e cozinhada com amor.

Acrescentou ainda que durante esta sua primeira estadia em Portugal foi assistir a uma Noite de Fado em Évora, e que ainda sente pele de galinha quando recorda o som das doze cordas da guitarra portuguesa e do fado que desconhecia e ouviu pela primeira vez, acompanhado de um copo de vinho tinto português, vinho este que considera ser de uma qualidade única e excelente e lamentavelmente ainda muito desconhecidos pela Europa fora. Foi com um enorme brilho nos olhos que Christian Wüstenberg revelou que não houve nada que tivesse comido ou bebido em Portugal que não lhe tivesse sabido bem, antes pelo contrário, “é tudo fantástico”! Foi esta sua primeira semana que passou em Portugal, que o marcou e que o fez decidir que Portugal seria de novo o seu próximo destino a visitar. Apesar de não ser alguém que goste de fazer férias sózinho, afirmou que no passado, “durante 8 anos fiz férias sozinho em Portugal e lá nunca me senti só! Os portugueses são pessoas extremamente amáveis e em Portugal estou sempre satisfeito a 100%. Foi o nosso amor por Portugal que nos levou a fazer este filme”.

”Portugal der Wanderfilm” é um excelente cartão de visita, uma verdadeira descoberta e homenagem a uma parte da costa portuguesa e de localidades conhecidas e desconhecidas de muitos nós, que recomendamos vivamente. Se não teve oportunidade de ver este filme, esteja atento a um cinema perto de si.

Ficamos a aguardar o próximo filme de Silke Schranz e Christian Wüstenberg, que irá iniciar-se no Porto e dar a conhecer o norte de Portugal.

Para se manter informado sobre as próximas sessões ou para poder adquir este filme consulte o site dos cineastas em: www.comfilm.de

[redação CL, Mirele Oliveira Costa, Jorge da Silva]

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