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“Queriam as sanções levantadas na totalidade e não podemos fazer isso”

A segunda cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un terminou sem acordo. O presidente dos Estados Unidos explicou numa conferência de imprensa o que aconteceu à porta fechada.

Donald Trump esclareceu numa conferência de imprensa em Hanói, no Vietname, o que aconteceu à porta fechada com as negociações com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, para que não fosse possível chegar a um acordo.

“Quero agradecer a toda a gente no Vietname por me ter tratado tão bem”, começou por dizer o presidente norte-americano.

“Tivemos um tempo muito produtivo. Mas sentimos, eu e o secretário Pompeo que não era boa ideia estar a assinar nada neste momento. Acabámos de vir de lá, passámos o dia todo com Kim Jong-un, que é um bom tipo, com muita personalidade. Acho que a nossa relação é muito forte”.

“Temos várias opções, mas de momento decidimos não as seguir ainda. Vamos ver onde isso leva. Mas foram dois dias muito interessantes e produtivos. Mas às vezes é preciso sair”, rematou Trump antes de passar a palavra a Mike Pompeo, o secretário de Estado norte-americano.

Mike Pompeo deu conta de que “na cimeira foi possível fazer avanços”. “Grandes avanços em direção ao que os dois líderes tinham acordado na última cimeira em Singapura, em junho do ano passado”. “Fizemos grandes progressos e ainda fizemos mais progressos durante estas reuniões que os dois líderes tiveram nas últimas 24/35 horas”, continuou.

“Infelizmente não chegámos ao fim, não chegámos a algo que fizesse total sentido para os Estados Unidos”, lamentou o secretário de Estado. “Pedimos a Kim que fizesse mais e ele não estava totalmente preparado. Mas ainda estou otimista”, garantiu.

“Kim Jong-un não foi capaz de dar o passo para assinarmos um acordo a neste momento, mas espero que lá cheguemos”, disse ainda.

Trump voltou depois ao pódio para responder às perguntas dos jornalistas, garantindo que “o problema foram as sanções”.

“Basicamente queriam as sanções levantadas na totalidade e não podemos fazer isso”, explicou o presidente. “Estavam dispostos a desnuclearizar uma grande parte das áreas que queríamos, mas não podíamos abdicar de todas as sanções para isso”.

“Não desistimos de nada e acho que acabaremos a ser grandes amigos de Kim”, garantiu, considerando que “eles têm tremendo potencial”.

Questionado sobre que mensagem quer enviar a Kim Jong-un acerca do futuro e da relação entre os países, Trump respondeu: “Uma das coisas mais importantes que o presidente Kim me prometeu ontem à noite é que independentemente disso não vai fazer novos testes nucleares. Confio nele e acredito na sua palavra. Mas entretanto vamos continuar a falar”, revelou.

“Prefiro fazê-lo bem, do que fazê-lo rápido”

“Como foi a reação quando se levantou e saiu?”, perguntou uma das jornalistas. “Muito amigável, apertámos as mãos”, respondeu o presidente. “Isto deveria ter sido resolvido durante as outras presidências, vi muita gente a falar, mas ninguém fez nada. As administrações passadas tentaram dizer-me como fazê-lo quando lá estiveram e não fizeram nada”, continuou. Mas “foi uma saída amigável”, assegurou.

“Podia ter assinado um acordo hoje, mas depois diriam ‘que acordo horrível que assinou’. Podia mesmo ter assinado hoje, tínhamos os papéis prontos, mas decidimos que não era apropriado”, continuou. “Prefiro fazê-lo bem, do que fazê-lo rápido”, garantiu Trump.

Sobre os avanços da desnuclearização, o presidente norte-americano começou por dar conta de que Kim “tem um país incrível”. “Se pensarmos de um lado está a Rússia, do outro a China, por baixo a Coreia do Sul e está rodeado por água e ao pé das costas mais bonitas do mundo”, disse. “Acho que ainda vai ser um sucesso económico absoluto”.

Mas questionado por um jornalista do New York Times sobre a razão pela qual não aceitou a desnuclearização de alguns locais tendo em conta de que o país pode continuar dessa forma a produzir armamento, Trump garantiu que essa informação é dúbia, pois “há pessoas a dizê-lo e outras não”, mas que caso o fizesse “não iria receber o suficiente por aquilo de que iria abdicar”.

Além disso, continuou, “não quero fazer nada que possa violar a confiança que criamos. Temos uma parceria muito forte”.

Assegurou ainda que, caso estivesse disposto a levantar as sanções, Kim estaria disponível para a total desnuclearização, mas que sentiu “que não era bom”. “O Mike [Pompeo] e eu passámos muito tempo a negociar e a falar e chegámos à conclusão de que aquele único local, apesar de muito grande, não era o suficiente. Tínhamos de ter mais do que isso”.

“Quero muito levantar as sanções, porque aquele país tem tanto potencial, mas têm de desistir [do armamento nuclear]”, referiu. “Ele garantiu que não vai fazer testes de foguetes ou mísseis ou de algo que esteja relacionado com armamento nuclear. Só posso dizer que foi isso que ele me disse”.

Após duas perguntas sobre Xi Jinping, o presidente da China, e Moon Jae-in, o líder da Coreia do Sul, Trump aproveitou para dizer que tinha boas relações com todos. “Acreditem ou não eu tenho ótimas relações com quase todos os líderes mundiais”.

Esclareceu ainda de que “não houve nenhum compromisso para uma terceira cimeira” e para rematar deu conta de que estava “prestes a entrar num avião e regressar a um local maravilhoso chamado Washington DC”, despedindo-se e dando por terminada a conferência.

Antes da conferência de imprensa, em comunicado, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, tinha dado conta de que apesar de várias reuniões “muito boas e construtivas”, não tinha sido possível chegar a um acordo. “Não foi atingido nenhum acordo desta vez, mas as duas equipas esperam voltar a encontrar-se no futuro”, pode ler-se.

[Sara Gouveia]

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