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Plano B que Theresa May levou ao parlamento é o plano A 2.0

A primeira-ministra britânica afirmou que não “acredita que haja maioria parlamentar para um segundo referendo” e disse ser “improvável que Bruxelas aceite uma extensão do Artigo 50”. Garante que vai respeitar acordo de Belfast.

A expetativa era grande, mas o plano B para o Brexit que Theresa May apresentou esta segunda-feira na Câmara dos Comuns do parlamento britânico pouco difere do plano A. Aliás, na realidade parece uma versão ligeiramente diferente do plano acordado com a União Europeia.

De acordo com a BBC, a primeira-ministra começou por “lamentar” não se ter encontrado com Jeremy Corbyn para debater este plano B para o Brexit. De recordar que o líder do Partido Trabalhista impôs como condição para se encontrar com a líder do governo britânico que fosse descartado um cenário de Brexit sem acordo.

May abordou essa condição prévia. “A forma correta de evitar uma saída sem acordo é com a aprovação nesta Câmara de um acordo ou se evitarmos o Artigo 50”.

A primeira-ministra acrescentou ainda que é “improvável” que a União Europeia possa aceitar um prolongamento do Artigo 50 sem um plano para o Brexit.

No seu tão esperado discurso, Theresa May abordou também a possibilidade de um segundo referendo, algo que tem sido avançado com cada vez mais consistência face ao impasse na aprovação de um acordo no parlamento. Considerando que um segundo referendo pode abrir um “precedente com implicações em futuros referendos”, a líder britânica afirmou que não “acredita que haja maioria parlamentar para um segundo referendo”.

Segundo a lógica que tem mantido até aqui, a chefe de Estado também abordou aquele que tem sido o grande obstáculo a um entendimento. O ‘backstop’ para a fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. May insistiu que “o acordo de Belfast vai ser totalmente respeitado. Este governo não vai reabrir esse acordo”, esclareceu, contrariando algumas informações que circularam esta manhã na imprensa britânica.

Referindo que esta vai ser uma nova fase de negociações para desbloquear este impasse, May anunciou mais encontros com os líderes parlamentares britânicos prometendo que o seu governo vai ser mais “flexível” e “inclusivo”.

A primeira-ministra britânica destacou ainda que “estão salvaguardados os direitos dos imigrantes da União Europeia que pretendam ficar no Reino Unido” e voltou atrás na ideia de impor o pagamento de uma taxa de candidatura aos cidadãos europeus que procurem o estatuto de residência permanente no Reino Unido.

Na próxima semana, no dia 29, os deputados voltam a encontrar-se com May no parlamento para votar este plano alternativo. A dois meses da data limite para um Brexit com acordo ou sem acordo.

[Fábio Nunes]

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