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Criado novo movimento de extrema-direita na Alemanha

Um deputado da extrema-direita alemã anunciou hoje a criação de um novo movimento “patriótico”, um reflexo das tensões que atravessam esta tendência política na Alemanha.

Antigo membro da Alternativa para a Alemanha (AfD), que abandonou na sexta-feira apontando a esse partido uma linha demasiado moderada, André Poggenburg espera com o seu movimento “Despertar dos Patriotas Alemães” (AdP) atrair entre 6% e 9% dos eleitores.

A nova formação pretende apresentar candidatos às três eleições regionais marcadas para o próximo outono nos Estados da ex-Alemanha de leste, revelou Poggenburg numa conferência de imprensa em Dohma, na Saxónia, bastião da extrema-direita.

A extrema-direita alemã é regularmente atravessada por tensões internas, reavivadas na terça-feira pelo anúncio feito pelos serviços de informações de uma vigilância reforçada devido aos discursos extremistas de alguns dos seus membros.

Os serviços secretos alemães investigam sobretudo as eventuais ligações de membros da AfD a movimentos neonazis.

O presidente da AfD, Alexander Gauland, anunciou que vai apresentar um recurso judicial contra esta decisão.

Gauland será particularmente vigiado por causa das suas representações “sociais-nacionalistas da sociedade”, segundo o diário alemão Tagesspiegel, que teve acesso ao relatório preliminar dos serviços de informações alemães.

São igualmente alvo de suspeição organizações de juventude do partido, como “As Asas” e “Juventude Alternativa”, alguns membros das quais proferiram discursos radicais.

Por exemplo, um dos dirigentes de “As Asas” classificou em 2017 o Memorial do Holocausto Judeu, em Berlim, como “memorial da vergonha”.

Um representante da ala “moderada” da AfD, Uwe Witt, declarou ao jornal Die Welt desejar que seja feito um “processo de autolimpeza” nessas duas formações, para “eliminar todas as ideias anticonstitucionais”.

Desde que entrou no parlamento federal alemão, em setembro de 2017, a AfD, cujos membros são também alvo de investigações financeiras, tornou-se o principal partido da oposição nacional na Alemanha, contra o Governo da chanceler Angela Merkel, formado por conservadores e social-democratas.

Logo a partir do momento em que foi criado, em 2013, este movimento, que originalmente defendia uma linha ultraliberal e anti-euro, foi atravessado por tensões e, mais tarde, por cisões.

Em 2015, o seu fundador, Bernd Lucke, professor de Economia, abandonou-o, condenando já as “posições xenófobas”.

EM 2017, foi a vez de a codirigente da AfD, Frauke Petry, bater com a porta, um dia após a sua eleição como deputada do parlamento federal.

[Lusa]

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