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Conservadores em congresso crucial para May manter controlo sobre partido

O congresso do partido Conservador, que decorre até quarta-feira e encerra com um discurso da líder, Theresa May, é considerado crítico para a primeira-ministra manter o controlo dos ‘tories’ e do governo durante as negociações sobre o ‘Brexit’.

Os olhos estarão voltados para Theresa May, que terá não só de evitar os deslizes do ano passado, mas tentar marcar um tom que recupere o respeito não só daqueles do seu partido, mas também dos líderes europeus em Bruxelas.

Em 2017, uma partida de um comediante, um ataque de tosse e a queda de uma letra no painel de fundo fez do discurso de May, então fragilizada por um mau resultado eleitoral e dúvidas sobre se continuaria em funções, um motivo de escárnio.

Este ano, a indefinição sobre o seu futuro continua, mas a primeira-ministra assegura reiterou o desejo de manter-se no cargo, tendo dito no domingo ao Sunday Times: “Há um trabalho a longo prazo para fazer”.

Na semana passada, a primeira-ministra admitiu existir um impasse no diálogo com Bruxelas pois rejeita ficar no mercado interno ou união aduaneira e porque não concorda com a solução proposta para evitar uma fronteira entre a Irlanda do Norte e República da Irlanda.

“Qualquer coisa que não respeite o referendo ou que efetivamente divida o nosso país em dois seria um mau acordo e eu sempre disse que nenhum acordo é melhor que um mau acordo”, avisou.

May considera que a opção que apresentou, o chamado plano ‘Chequers’, que criaria uma área de livre comércio para bens e produtos agroalimentares entre a UE e o Reino Unido depois do ‘Brexit’, resolveria não só a questão da fronteira, mas também evitaria consequências económicas para os dois lados.

Porém, esta proposta não tem o apoio de vários dos seus deputados e motivou algumas demissões no governo, incluindo a do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson, que classificou de “humilhação moral e intelectual”.

Numa entrevista no domingo, também ao Sunday Times, este voltou a atacar o plano ‘Chequers’ com linguagem forte, declarando-o “insano” – ao mesmo tempo que sugeriu a construção de uma ponte de 40 quilómetros entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte.

Figura popular entre os militantes do partido Conservador devido ao tom jocoso, Boris Johnson não vai discursar no auditório principal, mas intervém hoje num evento paralelo de reprovação à estratégia para o ‘Brexit’ do governo do qual fez parte até há três meses atrás.

Juntamente com David Davis, Ian Duncan Smith e Jacob Rees-Mogg, Johnson tem feito uma oposição interna frontal a Theresa May, e o que disser será motivo de manchetes e de conversa no congresso.

Mas um assalto à liderança nunca vai acontecer durante o congresso: uma eleição interna só pode ser desencadeada se o líder renunciar ou se 15% dos deputados conservadores (atualmente 48) escreverem uma carta a pedir uma moção de censura.

Para o politólogo Tony Travers, May terá de garantir na quarta-feira que mantém o controlo sobre um partido que está em “guerra civil” e mostrar a “incrível determinação que mostrou até agora”.

[Lusa]

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