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“Resultado não foi o que esperavam. Tiro saiu pela culatra”

A defesa de José Sócrates reage, em comunicado enviado às redações, à reportagem divulgada esta segunda-feira no ‘Jornal da Noite’ da SIC e que mostrava imagens de alguns interrogatórios realizados pelo procurador Rosário Teixeira ao antigo primeiro-ministro.

“Ainda não se tinha visto tudo”, é desta forma que Pedro Delille, um dos advogados de José Sócrates, começa por se referir, em comunicado enviado às redações, à reportagem que, ontem, a SIC emitiu no ‘Jornal da Noite’ e na qual foram exibidos interrogatórios judiciais ao antigo primeiro-ministro José Sócrates.

Esta reportagem representou, no entendimento do causídico, “o culminar de uma longa parceria e cumplicidade entre a estação de televisão e as autoridades a quem o processo está entregue”, nomeadamente entre a SIC, o procurador Rosário Teixeira e o juiz de instrução, “a quem a estação tem traçado os mais elogiosos perfis”, advoga.

Este “espetáculo, singular e chocante, significa uma progressiva e assustadora tabloidização da nossa justiça. No essencial, está agora claro que vale tudo: qualquer cidadão ficou a saber que as filmagens dos interrogatórios que o Ministério Público promove estão no mercado”. Imagens que, destaca Pedro Delille, “aparecerão nos telejornais em função do interesse comercial, das audiências”.

Estas circunstâncias, “com o incompreensível silêncio institucional”, “subjugam a dignidade da justiça ao interesse venal do espetáculo: utilizaremos tudo o que nos permitir ganhar dinheiro. Todavia, o resultado não foi o que esperavam. E o tiro saiu pela culatra”.

No entendimento da defesa de José Sócrates, os “interrogatórios vêm demonstrar aquilo que temos repetidamente afirmado: a acusação não tem qualquer fundamento em factos e muito menos em provas. Chega a ser confrangedora a incapacidade dos procuradores em sustentar o que levianamente afirmam. Na verdade, os interrogatórios só confirmam a vacuidade da acusação”.

Com esta denúncia, o advogado, que tem a seu cargo a defesa do engenheiro, alega que “cumpre o seu dever social e profissional. Mas iremos além: não deixaremos também de agir judicialmente em defesa dos nossos direitos que são, afinal, os direitos que o Estado deveria garantir a todos os cidadãos portugueses”.

[FILIPA MATIAS PEREIRA]

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