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Rui Rio: “Temos de estar unidos ao próprio governo português”

Líder do PSD defendeu que o próximo orçamento comunitário não deverá sofrer nenhum corte por causa do Brexit, pois isso traria o risco de cortes no fundo de coesão.

Rui Rio chegou ontem à cimeira do PPE “com a expectativa” de ver defendidas “posições que interessam a Portugal”. Pela sua parte, defendeu que “o próximo orçamento comunitário não sofra nenhum corte decorrente da saída do Reino Unido”, pois isso traria o risco de cortes no fundo de coesão. E, Portugal “seria um dos principais prejudicados com isso”.

“Temos de estar unidos ao próprio governo português, no sentido do reforço da posição de Portugal, para que não haja qualquer corte na política de coesão”, defendeu o presidente do PSD, justificando que a ausência de oposição se deve ao “interesse nacional”, com um objetivo de “conseguir novas receitas”. E, para Rui Rio, estar ao lado de um governo que tanto inquietou a família europeia a que o PSD pertence não é “um tabu”. “Não tenho nada a visão de ser para mim um tabu alinhar pelo governo ou contra o governo. Alinho pelos interesses de Portugal. Aliás, no próprio congresso do PSD, [o lema] era primeiro Portugal e aqui é Primeiro Portugal”, frisou, considerando que o papel da oposição não é “enfraquecer” a posição do país. “O que é que os portugueses querem? Um PSD a aproveitar isto para fazer oposição ao governo e, com isso enfraquecer a posição de Portugal e virmos a receber menos dinheiro da UE? querem que os PSD defenda os interesses dos portugueses?”, questionou, sugerindo que para isso será necessário “reforçar, na Europa, a posição do governo português”. António Costa reagiu “com agrado” a esta manifestação de apoio ao governo, considerando que se trata “da posição tradicional de Portugal, assim como do conjunto das principais forças políticas”.

Na primeira vez que se pronunciou sobre a acusação que lhe foi dirigida por Pedro Santana Lopes sobre a liderança do partido, Rio desvalorizou, dizendo que o seu opositor nas eleições diretas fez afinal um apelo interno a dizer que “deveriam dar oportunidade para que pudesse inaugurar a liderança do PSD”. “A crítica não era exatamente para a direção nacional. A crítica é para quem internamente está mais apostado em destruir do que a ajudar a construir. Interpretei assim”, afirmou. Sobre a demissão do secretário-geral do partido, Feliciano Barreiras Duarte, na sequência das acusações de falsificação dados curriculares, Rui Rio considera que se tratou de uma polémica com uma “desproporção brutal, relativamente àquilo que está em causa”.

Questionado sobre se a proximidade das eleições europeias já o fez pensar sobre se Paulo Rangel – que estava ao seu lado à entrada para a reunião do PPE – poderia ser um nome a repetir no próximo mandato, Rio foi evasivo, embora dê a entender que há uma decisão tomada.

[dn.pt, João Francisco Guerreiro]

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