Cultura

Fadista Duarte apresenta o seu mais recente álbum ‘Só a Cantar’ em Sintra

O fadista Duarte apresenta o seu mais recente álbum, “Só a Cantar”, que qualificou como “esperançoso”, na próxima sexta-feira no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, nos arredores de Lisboa.

“Vou tocar todos os temas do disco ‘Só a Cantar’ e revistar os temas que mais marcaram os outros meus trabalhos”, disse o fadista à agência Lusa.

Duarte afirmou que este seu quarto álbum “é mais esperançoso”, obedecendo a “um conceito diferente que não é o de cantar o fim”, como nos anteriores CD, mas “é mais positivo”, pois “canta uma dimensão da condição humana que é a capacidade de estar só, bem diferente de estarmos em solidão, que é muito mais devastador”.

Este CD, insistiu o fadista natural de Évora, canta essa “capacidade de estar só, de partir só, de nos refazermos, de nos protegermos”, afirmou recordando os tempos de infância, em que cantava quando sentia medo.

“Este álbum — reconheceu – é mais imediato. Eu já cantei o fim de qualquer coisa, já cantei o luto. Agora fazia sentido cantar o que pode vir depois do luto e elogiar essa nossa capacidade, que todos devemos ter, de estar bem connosco”, afirmou.

“É um álbum menos carregado, menos complicado, que não é tão denso e, pesadamente, melancólico”, que os anteriores.

No palco sintrense, Duarte vai ser acompanhado pelos músicos Pedro Amendoeira (guitarra portuguesa), João Filipe (viola), além de si próprio que vai acompanhar-se à viola, em alguns temas. Como convidada conta com a cantora Mara, com a qual gravou o tema “Às Tantas”, de sua autoria.

Duarte assina, aliás, todas as letras do álbum, à exceção de “Maria da Rocha”, de autoria de João Monge, e também algumas das músicas, excetuando as que usa do repertório dos fados tradicionais. Há ainda o caso do fado Gripe, que é de autoria de José Mário Branco, para a letra “Que Fado é esse afinal?”, e um outro, “Rimbaud”, que assina com o músico Rogério Ferreira.

Referindo-se ao alinhamento do CD, Duarte afirmou que há dois temas em que procurou retomar uma tradição fadista, fazendo “uma certa autocrítica, que se está, atualmente, a perder”.

São eles “Covers”, que canta no fado Pechincha, de João do Carmo Noronha, no qual afirma que “Já não são fados, são ‘covers’/ Imitações desalmadas/ Reproduções do destino/ Tantas vezes tão cantadas/ Esses que tentam viver/ Aquilo que outros viveram/ Acabam por se perder/ No tanto que não fizeram”, e no “Que Fado é esse afinal?”, que canta no fado Gripe.

“São duas reflexões sobre o estado da arte [fadista]”, reconheceu o criador de “Os Mistérios de Lisboa”.

Sobre “Que Fado é esse afinal?”, Duarte referiu que procurou, através da letra, “ver o que está acontecendo com ao fado, o que se vai vivendo”, e o que as pessoas lhe vão dizendo, e afirmou-se como “mais de ouvir que de falar”.

O álbum “Só a Cantar” sucede a “Sem Dor Nem Piedade” (2014). Duarte, psicólogo de profissão, estreou-se discograficamente com “Fados Meus” (2004), ao qual se seguiu “Aquelas Coisas da Gente” (2009). Em 2006 Duarte recebeu o Prémio Amália Revelação.

[Lusa]

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