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“O coração é um músculo, a alma ficou cá e é a mesma”

Salvador Sobral está a recuperar de um transplante de coração, mas já voltou aos ensaios e regressará aos palcos em breve.

O músico Salvador Sobral deu a sua primeira entrevista desde que fez o transplante de coração e mostrou-se igual a si próprio, confiante num regresso em breve aos palcos e sonhador em relação ao mundo da música, como sempre o conhecemos.

“Imagina que vou a Paris, estou num café, e um gajo que não me conhece de lado nenhum pergunta ‘então como é que foi o teu ano em 2017?’. Eu: ‘Nada de especial, ganhei o maior concurso Pop europeu, toda a gente me conhecia de um dia para o outro, no país, e uns meses depois enfiei-me num quarto de hospital durante quatro meses, fechei-me no meio de quatro paredes brancas e fiz um transplante de coração. Acho que é o ano mais dispare que alguém podia imaginar”. Foi desta forma que o vencedor do Festival da Canção da Eurovisão de 2017 descreveu o seu ano, na entrevista à RTP.

Depois do transplante, Salvador Sobral garante não ter sentido nada, apesar da experiência única que viveu e que mudou a sua vida. “Não senti nada [quando acordei da operação], é uma experiência fora desta realidade, não poderia descrever em palavras, é impossível”.

Por outro lado, a ciência impõe-se no seu pensamento e vê tudo aquilo por que passou como um “problema resolvido”. “É uma experiência como outra, acho que o ser humano é super adaptável e eu adaptei-me aquela situação, para mim é a minha realidade, não é nada de outro mundo. Trago a experiência, mais uma experiência. Tinha este problema e agora está resolvido”.

Quanto aos sentimentos e ao coração ‘novo’, o cantor português sublinha que “coração não tem nada a ver, o coração é um músculo, a alma ficou cá e é a mesma”.

“Isto [transplante] influenciou-me de uma maneira muito física, medicamentos e certas coisas que fazem com que a minha voz esteja um bocadinho frágil, mas acho que vai voltar ao que era”, revela, não deixando de frisar que teve medo. Aliás, se não o sentisse “seria um cubo de gelo”.

E como a música é o grande centro da sua vida, revela que irá regressar aos palcos nas ilhas, nos Açores e na Madeira, numa espécie de “renascimento”, como lhe chamou.

“Não sou grande compositor, componho com um amigo meu porque ele me força a compor e estou ali… Ainda não tenho, pode ser que um dia venha a ter, mas ainda não sou aquele compositor, gosto de ser interprete e sou bom interprete”, atira o cantor, anunciando que conta com nomes como Miguel Esteves Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Samuel Úria, Mário Laginha para escrever algumas das músicas que estão para chegar.

Mais, Salvador garante que nunca compõe a “pensar no transplante ou no coração de outra pessoa”, mas canta para “tocar as pessoas” e nunca para “influenciar os outros”, já que “odeia responsabilidades”.

E se o futuro agora é mais brilhante, o português gosta de sonhar: “O meu sonho imediato é viajar pelo mundo e tocar pelo mundo inteiro, descobrir culturas, tocando”.

[NAM, Inês André de Figueiredo]

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