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Michel Barnier: Bruxelas não exclui hipótese de Brexit sem acordo

O negociador da UE garantiu que não quer uma saída sem acordo, mas está preparado caso aconteça. O bloco tinha já dado duas semanas ao Reino Unido para fazer cedências nas negociações para que se possa começar a discutir as relações comerciais entre as duas partes.

O responsável pelas negociações do Brexit pela União Europeia, Michel Barnier, disse que o bloco não quer uma saída sem acordo, mas está a fazer planos de contingência para o caso de acontecer. Bruxelas deu, na semana passada, duas semanas ao Reino Unido para clarificar os termos do divórcio com a UE e as negociações puderem avançar.

“É uma possibilidade”, respondeu Barnier, questionado sobre o possível insucesso das negociações, em entrevista ao jornal francês Journal du Dimanche. “Todos temos de nos preparar para isso: Estados-membros e negócios”.

“Nós também estamos a fazer preparações técnicas para isso. A 29 de março, o Reino Unido vai-se tornar um terceiro país”, afirmou, garantindo que uma saída sem acordo não é, no entanto, a opção ideal.

As negociações permanecem em impasse, dadas as divergências entre as duas partes no que toca aos temas que a UE prioritários, como a fatura do Brexit, os direitos dos cidadãos da UE e a questão da fronteira irlandesa. Barnier disse na entrevista que é vital que o Reino Unido aumente a oferta financeira para que as conversas avancem.

Na cimeira europeia a 14 e 15 de dezembro, os Estados-membros vão decidir se foram feitos progressos suficientes nos temas fraturantes. “Queremos chegar a um acordo [com o Reino Unido] nos próximos 14 dias”, para que a que o rascunho possa ser aprovado na cimeira, garantiu Barnier. O negociador sublinhou, no entanto, que “hoje, ainda não estamos aí”.

Reino Unido também já faz planos

No mês passado, também a primeira-ministra britânica, Theresa May, terá começado a intensificar os esforços para preparar um plano de contingência para o caso de o Reino Unido ter que deixar a UE sem qualquer tipo de acordo comercial de parte a parte. May quererá uma proposta que sirva aos interesses britânicos sem descuidar os europeus, para evitar um vácuo regulatório e dificuldades aduaneiras adicionais.
No início da quinta ronda negocial do Brexit, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que “não se pode falar do futuro sem ter qualquer clareza em relação à posição do Reino Unido”. O líder do executivo comunitário acredita que ao fim de mais de seis meses de negociações permanecem “grandes divergências”, que devem ser limadas antes de se poder avançar com planos para uma futura relação comercial entre o Reino Unido e a União Europeia.

Perante a possibilidade de ter de deixar a União Europeia “de mãos a abanar” em março de 2019, com um hard Brexit, May poderá estar a preparar uma estratégia para evitar danos maiores. A primeira-ministra britânica está a ser pressionada dentro do partido a tomar medidas mais concretas e credíveis para evitar riscos económicos maiores.

Sair da União Europeia sem acordo significaria não apenas sair do mercado único europeu, e com isso deixar a livre circulação de pessoas, bens e serviços. A importação de bens para o Reino Unido ficaria mais dificultada e conheceria novas tarifas alfandegárias. O mesmo aconteceria com as pessoas que deixariam de poder circular livremente para o país.

No entanto, também May continua a dar preferência a um soft Brexit para conseguir assegurar um acordo comercial que seja benéfico para ambas as partes, mas tudo dependerá do avançar das negociações do Brexit com a União Europeia.

[jornaleconomico.sapo.pt, Leonor Mateus Ferreira]

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