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Partido de extrema-direita alemão AfD reorganiza-se

O partido de extrema-direita Alternativa para Alemanha está em reorganização, com a entrada de pequenas formações radicais, depois da saída do seu rosto mais mediático, Frauke Petry, que está a fundar um novo partido.

Este fim de semana, o extremista Partido Pró Alemanha, fundado na Renânia do Norte-Vestefália como movimento de protesto contra a construção de mesquitas, anunciou a sua dissolução para se integrar na Alternativa para Alemanha (AfD na sigla original).

A direção do pequeno partido justificou a integração com a necessidade de unir forças agora que a AfD é o terceiro partido do parlamento alemão, com 92 deputados.

Nas últimas eleições legislativas alemãs, a 24 de setembro, a AfD conseguiu entrar no Bundestag (parlamento) com 13% dos votos.

A AfD é o primeiro partido de extrema-direita a estar representada no Bundestag desde a década de 1950, uma vez que outros partidos de direita radical nunca ultrapassaram o mínimo de 5% dos votos necessário para terem assento no hemiciclo.

Contudo, logo no dia seguinte às eleições, Frauke Petry, dirigente da AfD e eleita deputada, abandonou o partido denunciando uma deriva demasiado radical, ilustrada por declarações controversas sobre os muçulmanos e os crimes dos nazis.

Petry e o seu marido, Marcus Pretzell, preparam agora o lançamento do Partido Azul, de perfil menos radical e disposto a fazer futuras alianças com o Governo, uma vez que a AfD é descartada como aliada pelas restantes formações do Bundestag.

A AfD prepara agora o seu congresso, em 02 e 03 de dezembro, na cidade alemã de Hanôver.

A liderança do partido, incluindo o papel do seu atual presidente, Jörg Meuthen, que compartilhava com Petry a liderança até à saída desta, será discutida no congresso e poderá haver mudanças.

Segundo o diário alemão Schwäbische Zeitung, Meuthen quer ir para o Parlamento Europeu.

A AfD foi fundada em 2013 para captar os votos dos eleitores eurocéticos, contudo, ficou abaixo de 5% nas eleições legislativas desse ano.

Com a crise dos refugiados o seu discurso tornou-se mais xenófobo, o que a fez aumentar os seus simpatizantes e eleitores nas últimas eleições.

O novo parlamento alemão, eleito em 24 de setembro, tem seis grupos parlamentares: União Democrata-Cristã e União Social-Cristã da Baviera (CDU/CSU), com 246 lugares, o Partido Social-Democrata (SPD), com 153, a extrema-direita da Alternativa para a Alemanha (AfD), com 92, o Partido Liberal (FDP), 80, A Esquerda (69) e Os Verdes (67).

O Bundestag conta ainda dois deputados independentes.

O novo governo está ainda a ser negociado entre a CDU de Angela Merkel e o FDP e os Verdes, podendo demorar semanas ou mesmo meses a ser constituído.

[Lusa]

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